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A Nova Ferroeste e seus impactos no setor ferroviário nacional



 

Vista como uma das principais promessas de desenvolvimento do setor ferroviário no Brasil, a Nova Ferroeste, projeto de quase 1.300 Km de extensão entre o Mato Grosso e o Paraná, deve dar origem a um importantíssimo corredor de exportação no país nos próximos anos.

Com um dos intuitos de reduzir o chamado “Custo Brasil”, a Nova Ferroeste carrega um investimento bilionário por trás de seus projetos e promete mudar consideravelmente a estratégia da logística brasileira, em especial, trazendo uma nova participação do modal ferroviário no cenário nacional.

Para conhecermos melhor sobre a Nova Ferroeste e os principais impactos previstos na economia e logística do país, a Professora Rosinda Ângela da Silva, do Curso de Logística da Uninter, compartilha sua visão e opinião sobre o tema.

Vamos conferir?


O que é a Nova Ferroeste e que benefícios ela trará para o setor ferroviário nacional?

Com uma estimativa de investimento na casa de 20 bilhões de Reais, a Nova Ferroeste pretende criar um novo corredor de exportação no país, com base, principalmente, no crescimento e potencial econômico do agronegócio brasileiro.

Apesar das expectativas recentes, a Prof. Rosinda nos explica que Nova Ferroeste, na verdade, não é um projeto novo e que terá início agora, do zero.

Ela relata que alguns trechos da ferrovia já existem, porém seu projeto de expansão praticamente quintuplicará seu tamanho atual.

“Para entendermos porque o projeto está sendo chamado de Nova Ferroeste, vale resgatar a informação de que a Ferroeste já existe, mas é um trecho de aproximadamente 250 km que iniciou as operações em 1995 e atende as cidades entre Cascavel e Guarapuava.

Como agora o projeto é mais arrojado, pois inicia o trajeto em Maracaju no Mato Grosso do Sul e vai até o Porto de Paranaguá, no Paraná, contempla um trecho de 1.285 km de extensão, está sendo visto como a Nova Ferroeste”, explica a convidada.

Dando continuidade e destacando a importância dessa expansão da Nova Ferroeste, Rosinda ressalta alguns impactos e oportunidades a serem geradas pelo corredor ferroviário.

“Os dois estados envolvidos representam 30% da produção agrícola do país e estão trabalhando juntos para viabilizar esse projeto e, como na atualidade, somente 20% das cargas que chegam ao Porto de Paranaguá utilizam ferrovia, o potencial de desenvolvimento é grande e por isso, está mobilizando, não somente os governos dos dois estados, bem como os produtores rurais das regiões onde a ferrovia vai impactar. 

A aprovação e construção da Nova Ferroeste será um marco histórico para o transporte ferroviário no Brasil, pois, esse trecho representará o segundo maior corredor de transporte de grãos fortalecendo o título do Porto de Paranaguá, como maior exportador de soja do país.”

Seguindo em suas observações, Rosinda aponta o fato de que a expansão da ferrovia criará novas possibilidades de ramificação, o que transformará a Nova Ferroeste em uma das mais importantes vias do transporte de trens no Brasil.

“Como oportunidade para indústria ferroviária brasileira, tem as construções dos trechos novos: Maracaju-Cascavel; Guarapuava-Porto de Paranaguá e a revitalização do trecho já em uso que liga Cascavel-Guarapuava.

Além disso, poderão surgir outras oportunidades como ramificações de ferrovias para ligar as cidades menores do oeste do Paraná até Cascavel, que tem a
pretensão de se tornar um hub logístico para receber as cargas advindas do modal rodoviário e troca para o modal ferroviário. No entanto Toledo, também
está nesse páreo para trazer o suporte logístico para as empresas e cooperativas que utilizarão a ferrovia”, diz ela.

A professora prossegue: “Outra oportunidade para fomentar a revitalização do setor ferroviário no Paraná é a possibilidade de utilizar o caminho de volta, pois a ferrovia pode levar insumos importados pelo Porto de Paranaguá, para os produtores, isso pode chamar a atenção de diferentes indústrias. No momento, os custos estão sendo avaliados do ponto de partida (Maragogi, Cascavel) até o Porto de Paranaguá, mas, o próximo passo será identificar os custos desse retorno (as importações que chegam ao Porto). Se a ferrovia mostrar custos mais baratos para esse transporte, certamente, se tornará a primeira opção para esse tipo de operação.” 

 

Quais os principais desafios que envolvem o projeto da Nova Ferroeste?

Muito além do investimento bilionário necessário para colocar – literalmente – os trens no trilho da Nova Ferroeste, outros desafios se fazem presentes para
tenhamos a ferrovia em operação nos próximos anos em toda a sua extensão.

De forma mais explicativa, a Prof. Rosinda nos destaca algumas dessas “provas” que os engenheiros envolvidos precisarão encarar no planejamento e execução do projeto.

“Entre os desafios para a construção da Nova Ferroeste, tem os já conhecidos e que fazem parte da construção de qualquer ferrovia, como por exemplo: bitola dos trilhos, robustez dos trilhos para transportar contêineres, inclinação dos trilhos, curvas fechadas, entre outros. Para ajustar alguns desses elementos é preciso construir túneis e pontes, assim, a construção exige investimentos vultosos.

Além desses desafios, o projeto precisa se mostrar sustentável, pois parte do trecho impacta na Serra do Mar, a qual está sob a proteção pública desde 1952, pois é considerado essencial para o equilíbrio ambiental de Curitiba e região metropolitana. E por fim, outro desafio importante está conectado aos trilhos urbanos, ou seja, buscar construir a ferrovia sem adentrar nas cidades e, no caso das cidades que já tenham trilhos, como é o caso de Guaraniaçu, no Paraná, a transposição dos trilhos para áreas não urbanizadas”, complementa.

 

O que os agentes do setor esperam da Nova Ferroeste?

Aqui, a Prof. Rosinda destaca que, por se tratar de um projeto prioritário dentro do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), a discussão sobre a Nova Ferroeste e seus impactos para a economia nacional está em fase avançada e é uma questão de tempo para tudo sair do papel.

Ela relata: “Os avanços das apresentações dos pontos nevrálgicos do projeto como estudo do traçado, impactos ambientais e também de viabilidade técnica econômica, demonstram que o projeto tem grandes chances de finalmente se tornar realidade.”

Dessa forma, nossa convidada também compartilha algumas das principais expectativas entre os agentes do setor e traz algumas previsões do projeto, com base em dados anunciados oficialmente.

“As expectativas estão boas e, segundo a agência estadual de notícias do Paraná, o fluxo previsto é: fase atual: viabilidade – finalização prevista para setembro de 2021; estudos de impacto ambiental – finalização até novembro; leilão na Bolsa de Valores (B3), o mais breve possível. Por isso, os envolvidos com o projeto estão trabalhando arduamente junto às cidades impactadas, realizando visitas e reuniões para angariar apoiadores para a aprovação. A ideia para esse projeto ainda é utilizar o modelo tradicional brasileiro de concessões públicas”, complementa Rosinda.

 

Que outros projetos semelhantes estão em curso?

Além dos impactos econômicos previstos nos entornos de todo o corredor ferroviário a ser criado pela Nova Ferroeste, Rosinda aposta que a ferrovia beneficiará outras regiões também, inclusive, fortalecendo e expandindo relações comerciais com países vizinhos e o desenvolvimento de novas tecnologias para o setor.

“O Projeto da Nova Ferroeste, se aprovado, será inédito no Brasil, porque tem a pretensão de se tornar um importante corredor de exportação e beneficiar além dos dois estados envolvidos, também o Paraguai e a Argentina. Nesse sentido, a Nova Ferroeste poderá contar com o know-how da BIOPARK (Ecossistema de negócios, sediado em Toledo no Paraná), que está acompanhando o projeto da Nova Ferroeste e pode desenvolver tecnologias e capacitar profissionais para atender as demandas da ferrovia.”

Fora essas vantagens ligadas diretamente ao projeto da Nova Ferroeste, Rosinda finaliza sua participação destacando também outras ferrovias previstas no plano de desenvolvimento do setor no país.

“Outros projetos estão em movimento pelo Brasil, como por exemplo, a retomada da construção da ferrovia Nova Transnordestina, que iniciou sua construção em 2006 e deveria ter sido concluída em 2016, mas não foi. No início de janeiro de 2021, o Ministério da Infraestrutura aprovou a Portaria Nº 13 (DOU publicado em 12/01/2021), que enquadrou o projeto da ferrovia Transnordestina no programa REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), para conceder um benefício fiscal para fomentar a finalização da obra”, conclui a convidada.

Esses são alguns importantes pontos sobre o projeto da Nova Ferroeste e como a sua implementação deve beneficiar não apenas a economia das regiões traçadas pelos trilhos, mas também transformar as exportações do país e fomentar o desenvolvimento de um dos modais mais essenciais para a logística nacional.

 

Gostou? Quer saber mais novidades sobre o setor ferroviário no Brasil e algumas expectativas futuras no país? Então, aproveite para conferir também nosso próximo artigo sobre o Marco Legal das Ferrovias e o que muda com a sua implementação. Boa leitura!

 

Equipe NT Expo - Business on Rails